Por que psicanálise?
A psicanálise costuma ser procurada quando algo insiste. Um mal-estar que não se resolve, repetições que cansam, relações que adoecem, escolhas sempre adiadas ou feitas contra nós mesmos. Nem sempre essas coisas aparecem como um sintoma claro. Às vezes é apenas a sensação de estar vivendo com pouco espaço para o desejo.
A psicanálise não trabalha com respostas rápidas nem com a ideia de correção. Parte do princípio de que o sofrimento tem história e que aquilo que não pôde ser elaborado retorna — nos vínculos, no trabalho, no corpo, na forma de se relacionar consigo e com os outros. O tempo não apaga essas marcas. No máximo, as desloca.
Fazer análise é criar um espaço de fala em que não é preciso convencer, justificar ou corresponder a expectativas. A fala, aqui, não é desabafo nem orientação. É trabalho. Ao falar, algo se organiza, algo se separa, algo deixa de precisar se repetir da mesma forma.
Sou psicóloga e psicanalista. A formação em psicanálise não se esgota na graduação em Psicologia. Ela se constrói ao longo do tempo, por meio de estudo teórico rigoroso, supervisão clínica e análise pessoal. Tornar-se psicanalista não é adquirir uma técnica, mas sustentar uma posição ética de escuta, que não julga, não aconselha e não dirige a vida do outro.
A pessoa psicanalista não ocupa o lugar de quem sabe o que é melhor para os pacientes. Seu trabalho é acompanhar cada sujeito na construção de perguntas próprias e na possibilidade de escolhas menos determinadas pela repetição e pela culpa.
A análise não promete felicidade nem adaptação. Ela oferece algo mais raro: a chance de se implicar na própria história e de viver com mais responsabilidade e verdade.